O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia indicar o governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal antes mesmo da disputa eleitoral. A proposta já repousa sobre a mesa do mandatário e conta com a simpatia da cúpula de sua campanha à reeleição em Brasília, no Distrito Federal, que enxerga no perfil do magistrado fluminense uma oportunidade concreta de reordenar o tabuleiro político e institucional.
A estratégia traçada nos bastidores busca produzir três impactos imediatos no cenário nacional. O primeiro deles é afastar o governo federal dos desgastes recentes na Suprema Corte provocados pela exposição pública das relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro.
Ao mesmo tempo, a chegada de um magistrado ao STF ofereceria ao presidente uma bandeira vigorosa de integridade e combate à corrupção. A avaliação interna pondera que a gestão de Ricardo Couto no Palácio Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro, ganhou projeção exatamente após assumir o comando estadual em meio ao afastamento da antiga cúpula do estado por suspeitas de desvios.
O terceiro reflexo mira diretamente o tabuleiro eleitoral no segundo maior colégio de votantes do país. Sondagens internas que circulam no comitê petista apontam que a aprovação do governador ultrapassa 80% entre os eleitores do estado do Rio de Janeiro, o que transformaria a sua indicação em um poderoso ativo de transferência de votos para Lula na capital fluminense e nos municípios do interior.
As conversas seguem sob reserva em gabinetes de Brasília e do Rio de Janeiro, mas interlocutores diretos do presidente garantem que a articulação avançou de forma expressiva nas últimas horas e pode ter desfecho muito antes do calendário eleitoral previsto.
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