O ex-presidente do Conselho de Administração e ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que pode representar uma nova fase nas investigações sobre o Banco Master. Os documentos apresentados pela defesa foram encaminhados ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, no Distrito Federal, relator do caso na Corte.
A colaboração, ainda pendente de homologação, é a primeira firmada no âmbito dos inquéritos que investigam o suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Segundo as informações apresentadas, um dos principais focos dos relatos de Mansur é Daniel Vorcaro, controlador do banco, que está preso desde março e também busca negociar uma delação com as autoridades. A relevância do acordo está no fato de Mansur ter ocupado uma posição estratégica na Reag, gestora apontada nas investigações como responsável por estruturar fundos relacionados às operações sob apuração.
Antes de utilizar formalmente as informações, André Mendonça deverá realizar uma audiência com Mansur para verificar se a decisão de colaborar foi espontânea e se não houve coação. Somente depois da eventual homologação a PGR poderá utilizar os relatos e as provas entregues pelo empresário no curso das investigações. Em contrapartida, Mansur poderá receber benefícios penais previstos no acordo de colaboração, conforme os termos que forem validados pelo Supremo Tribunal Federal.
Um dos pontos mais sensíveis da colaboração envolve a suposta existência de aproximadamente R$ 20 bilhões que estariam ocultados ou dissimulados por Daniel Vorcaro. Segundo o relato atribuído a Mansur, os recursos não estariam concentrados em dinheiro, mas distribuídos entre direitos creditórios, imóveis e outros ativos, inclusive por meio de fundos e pessoas que seriam utilizadas como titulares formais dos bens. A informação, contudo, ainda constitui uma alegação apresentada no contexto da colaboração e dependerá de comprovação por meio de elementos independentes.
A negociação entre Mansur e a PGR ocorreu sem a participação da Polícia Federal. Um acordo de confidencialidade chegou a ser firmado inicialmente com a corporação, mas as tratativas não avançaram. Procuradas, a defesa de João Carlos Mansur e a Procuradoria-Geral da República não se manifestaram sobre o conteúdo do acordo. A decisão de avançar com a colaboração ocorreu após procuradores considerarem que Mansur havia apresentado informações inéditas e potencialmente relevantes para a investigação.
O impacto da delação dependerá agora da capacidade de transformar os relatos de Mansur em provas verificáveis. Caso as informações permitam localizar ativos, identificar beneficiários, esclarecer a estrutura dos fundos e estabelecer responsabilidades individuais, a investigação poderá ganhar uma dimensão ainda maior. O próximo movimento decisivo será a análise de André Mendonça em Brasília, onde a homologação poderá abrir caminho para que a PGR explore oficialmente as informações entregues pelo ex-dono da Reag e teste, com documentos e outras evidências, as acusações relacionadas a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
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