A decisão da Justiça que suspendeu o processo seletivo da Prefeitura de São Francisco de Itabapoana representa mais do que um simples ato jurídico: é um freio duro contra um modelo de gestão que vinha sendo conduzido sem o mínimo de cuidado com a legalidade e a transparência.
O governo da prefeita Yara Cíntia tentou realizar um processo seletivo para contratação de professores praticamente às escondidas. O edital foi publicado em cima da hora, com inscrições marcadas para a véspera do Carnaval, de forma exclusivamente presencial e com prazo exíguo. Uma combinação que, na prática, restringia a ampla participação e levantava sérias dúvidas sobre a lisura do certame.
Não se trata de mera formalidade burocrática. Processo seletivo público exige publicidade adequada, prazo razoável e igualdade de condições entre os candidatos. Marcar inscrições às pressas, em período festivo e com divulgação limitada, fere princípios básicos da administração pública e cria um ambiente propício a questionamentos.
A ação que resultou na suspensão foi movida pelo vereador Isaac Salvador, que apontou irregularidades claras na condução do edital. O entendimento foi reforçado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que destacou a fragilidade na publicidade e os riscos à impessoalidade do processo.
A decisão judicial foi direta: suspender o seletivo e impedir qualquer avanço enquanto as falhas não forem corrigidas. Um recado claro de que não se pode tratar a contratação de profissionais da educação com improviso.
A educação municipal já enfrenta desafios suficientes. Professores aguardam oportunidades legítimas de trabalho, alunos precisam de estabilidade no calendário escolar e a população exige responsabilidade. O que se viu foi o oposto: um processo atropelado, com regras divulgadas em cima da hora e execução questionável.
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