O recente anúncio da realização da 2ª edição da Feira de Empreendedorismo (Fepe) Regional em Macaé para 2027, sacramentado em vídeo pelo prefeito macaense Welberth Rezende ao lado do dirigente Fábio Paes, escancara uma inversão de prioridades inacreditável e revoltante. É estarrecedor constatar que a Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos — instituição histórica e de peso no associativismo — decida exportar esforços, investimentos e visibilidade para o município vizinho, ignorando solenemente a grave crise econômica que sufoca o empresariado campista. ASSISTA AO VÍDEO!
A crítica recai, sem rodeios, sobre a postura de Fábio Paes à frente da CDL Campos. Afinal, qual é o verdadeiro papel de uma entidade classista local? Fomentar o desenvolvimento, o consumo e a geração de empregos no município que representa ou atuar como agência de turismo institucional em praças concorrentes? Macaé já possui sua própria estrutura associativa e dinâmica econômica robusta, não necessitando da tutela ou da curadoria de dirigentes campistas para promover seus eventos e impulsionar seu comércio.
Enquanto a entidade gasta sola de sapato e esbanja sorrisos em gabinetes fora dos limites campistas, o comércio de Campos dos Goytacazes agoniza sob o peso de altas cargas tributárias, concorrência desleal e queda drástica no poder de compra do consumidor local. Ruas tradicionais do centro e dos bairros clamam por revitalização, campanhas agressivas de atração de público e apoio institucional contínuo, itens que parecem sumir da pauta de prioridades de uma gestão mais afeita aos holofotes externos do que às dores reais de quem mantém as portas abertas na planície goitacaca.
O episódio constrangedor revela um distanciamento abissal entre a cúpula da CDL e a base de associados que sustenta a instituição mês a mês. O dinheiro, o prestígio e a força da classe empresarial de Campos deveriam servir exclusivamente para fortalecer o mercado interno, atraindo compradores para a nossa cidade e movimentando a economia local, em vez de servir de escada para projeção pessoal ou parcerias que beneficiam direta e unicamente concorrentes regionais.
Passou da hora de a categoria cobrar transparência, rumo e, sobretudo, respeito por parte de seus representantes. Se Fábio Paes e sua diretoria preferem gerenciar o sucesso comercial alheio, que reconsiderem suas missões institucionais, pois o comércio campista não pode continuar a ser tratado como segundo plano ou refém de vaidades enquanto afunda na própria inércia administrativa.
Notícias do site: Campos 360 News








