Mensagens analisadas pela Polícia Federal revelam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tratava o senador Otto Alencar (PSD-BA) com termos como “conselheiro” e “comandante”. Segundo relatório citado pelo UOL e pelo jornal O Globo, o advogado Ciro Soares teria funcionado como uma espécie de ponte entre os dois.
Em uma conversa de maio de 2024, Ciro Soares informou a Vorcaro que Otto queria falar com ele. Na sequência, o banqueiro pediu que fosse enviado um abraço ao “nosso comandante” e afirmou que o senador era “conselheiro e comandante nosso”. As mensagens também registram outros contatos ao longo de 2024 e 2025.
A aproximação teria incluído ainda tentativas de organizar encontros presenciais e um convite relacionado a um evento em Londres. Em uma das conversas, Vorcaro afirmou que Otto deveria participar da viagem e fez referência a tomar Macallan com o senador. Para a investigação, o conjunto das mensagens demonstra uma tentativa de estreitar a relação entre o empresário e o parlamentar.
O caso ganhou um elemento particularmente relevante porque Otto Alencar inicialmente negou ter qualquer relação com Vorcaro. Posteriormente, após a divulgação das informações, o senador afirmou que conversou com o banqueiro “duas ou três vezes” por telefone, utilizando o aparelho do advogado Ciro Soares. Segundo Otto, Vorcaro buscava apoio para a chamada “emenda Master”, que pretendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Otto afirmou que não apoiava a proposta e que havia sido alertado sobre os riscos pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A medida não avançou no Congresso. Já Ciro Soares negou ter organizado encontros presenciais entre Otto e Vorcaro, enquanto a defesa do banqueiro não comentou especificamente as mensagens e afirmou que ele está à disposição para prestar esclarecimentos.
O episódio acrescenta mais uma peça ao complexo quebra-cabeça envolvendo Vorcaro, autoridades e integrantes dos diferentes Poderes. O ponto central, agora, é esclarecer qual era exatamente a natureza da relação entre o banqueiro e o senador, quais demandas foram apresentadas e se houve alguma atuação concreta em benefício do Banco Master. Mensagens privadas podem revelar proximidade, mas a responsabilização por eventual irregularidade depende da apuração dos fatos e das provas.
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