Uma nova frente de investigação do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal colocou novamente o sistema financeiro no centro de uma apuração envolvendo crime organizado, empresas do setor de combustíveis e personagens ligados ao caso Banco Master.
Deflagrada nesta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto tem entre os principais alvos Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e o empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos. Ao todo, foram expedidos mandados de busca e apreensão em 29 endereços relacionados a pessoas físicas e jurídicas em sete estados.
Segundo as investigações, o esquema teria utilizado uma estrutura financeira sofisticada para esconder a origem dos recursos e os verdadeiros beneficiários de operações envolvendo empresas do setor sucroalcooleiro e a aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana.
O caso também estabelece uma conexão com o Banco Master. Freixo Junior é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, e firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações relacionadas ao Master.
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores é a movimentação financeira atribuída à estrutura empresarial utilizada no esquema. De acordo com informações apresentadas pelas autoridades, aproximadamente R$ 11,6 bilhões teriam circulado entre 2021 e 2025 por meio das empresas e mecanismos financeiros investigados.
A apuração também identificou uma suposta triangulação envolvendo o Banco Genial, fundos de investimento, empresas apontadas como de fachada e recursos que teriam sido utilizados na operação de aquisição da distribuidora. A suspeita é de que mecanismos financeiros tenham sido empregados para dificultar a identificação da origem do dinheiro e dos reais controladores dos ativos.
Outro elemento que amplia a repercussão do caso é a ligação de Freixo Junior com o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, a Entre Investimentos teria sido utilizada para viabilizar repasses atribuídos a Vorcaro para a produção da obra.
O Ministério Público sustenta que a estrutura investigada teria relação com integrantes do PCC que atuariam no mercado de combustíveis. Entre os nomes citados na investigação estão Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, apontados pelas autoridades como integrantes de uma estrutura criminosa voltada à aquisição de ativos e à lavagem de dinheiro.
O Banco Genial informou que Humberto Tupinambá não integra mais a instituição e deixou a diretoria em maio de 2026. A defesa de Antônio Carlos Freixo Junior informou que não se manifestaria sobre a operação. As investigações seguem sob responsabilidade das autoridades, e as suspeitas ainda serão submetidas ao devido processo legal.
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