Há momentos em que a classe política decide abandonar o verniz republicano e simplesmente dizer em voz alta aquilo que pratica nos gabinetes fechados. Em um debate transmitido ao vivo, a ex senadora e atual ministra Simone Tebet protagonizou um dos episódios mais vergonhosos da história recente ao defender, sem titubear, que a classe política precisa roubar menos. Não se tratou de metáfora ou figura de linguagem mal polida, mas sim da naturalização explícita do assalto aos cofres públicos como se o roubo fosse um imposto inevitável cuja alíquota precisasse apenas de moderação (ASSISTA AO VÍDEO AQUI).
O disparate foi tamanho que qualquer cidadão comum seria levado preso se sugerisse a um juiz que cometeria apenas alguns crimes a menos no mês seguinte.
Na bancada oposta, Guilherme Derrite, atual secretário de Segurança Pública de São Paulo e deputado federal, aproveitou a brecha para arrematar o óbvio e constatar que a classe política não pode roubar de jeito nenhum. A resposta imediata desnudou a incoerência moral de uma liderança que se apresentava como alternativa moderada, mas que rapidamente se acomodou nas estruturas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, uma gestão marcada historicamente pelos maiores escândalos de corrupção do país.
A reação nas redes sociais e nas campanhas eleitorais não tardou a transformar o episódio em chacota nacional com montagens e memes que escancaram o cinismo de quem pede votos. O riso popular, no entanto, é apenas a casca amarga de um sentimento profundo de revolta de um povo esmagado por tributos que assiste seus governantes barganharem o quanto pretendem desviar.
O que fica evidente nessa troca de farpas é a podridão de uma elite dirigente que já não sente qualquer constrangimento ético ao negociar limites para a própria criminalidade.
Simone Tebet simboliza perfeitamente a conveniência de figuras que criticavam duramente esquemas de desvio para, meses depois, ocuparem ministérios e defenderem os mesmos projetos que antes condenavam. O Brasil não precisa de acordos para que desonestos tenham compaixão e roubem menos. O país exige que a lei seja implacável e que cada agente público envolvido em corrupção seja sumariamente expulso da vida pública e devidamente punido atrás das grades.
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