O desembargador Bruno Bodart, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, determinou que a Polícia Federal comprove, no prazo improrrogável de 15 dias, o cumprimento de uma ordem judicial relacionada à investigação contra a prefeita de São João da Barra, Carla Caputi. A decisão foi proferida no domingo, 8 de fevereiro, e evidencia a insatisfação do Judiciário com a lentidão das diligências determinadas no inquérito.
No despacho, Bruno Bodart foi direto ao intimar a Polícia Federal a demonstrar nos autos o cumprimento da ordem nos autos do processo. O magistrado deixou claro que, caso o prazo transcorra sem manifestação, o processo retornará concluso para definição de providências cabíveis, sinalizando a possibilidade de medidas mais duras diante da inércia investigativa.
A ordem judicial agora cobrada não é recente. Em outubro de 2025, o próprio Judiciário já havia concedido mais 90 dias para a realização de diligências no mesmo procedimento. Mesmo com esse prazo ampliado, a necessidade de nova intimação reforça a percepção de que a investigação não avançou conforme o esperado, apesar do tempo decorrido.
O inquérito criminal foi instaurado em novembro de 2024 no âmbito do TRE RJ pelo desembargador Fernando Cabral, em razão do foro por prerrogativa de função da prefeita. A apuração busca esclarecer a suposta prática dos crimes previstos nos artigos 299 e 300 do Código Eleitoral, que tratam de compra de votos e coerção de eleitores.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, noticiantes relataram que a prefeita Karla Chagas Maia, nome civil de Carla Caputi, teria distribuído benefícios pecuniários com o objetivo de remunerar e coagir eleitores a votar em candidatos de sua base política. As acusações, se confirmadas, atingem diretamente a lisura do processo eleitoral e o funcionamento da democracia local.
Na decisão que autorizou a abertura do inquérito, Fernando Cabral registrou que a instauração não representa juízo antecipado sobre culpa ou inocência, tratando se de ato formal para viabilizar a investigação. Ainda assim, a prolongada ausência de resultados concretos alimenta questionamentos sobre a efetividade do sistema quando autoridades com mandato eletivo são investigadas.
O episódio reforça um cenário recorrente em São João da Barra, onde investigações eleitorais de alto impacto político se arrastam por longos períodos e frequentemente terminam sem desfecho claro. A cobrança explícita feita agora por Bruno Bodart coloca a Polícia Federal sob pressão institucional e reacende o debate sobre a necessidade de respostas mais rápidas e transparentes à sociedade.
A população de São João da Barra aguarda ansiosamente por respostas.
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