A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial reacendeu a mobilização de aliados de Eduardo Paes (PSD) pela realização de um segundo turno para governador do Rio de Janeiro. Na capital fluminense, vereadores, integrantes do secretariado municipal e parlamentares eleitos passaram a cobrar publicamente uma nova votação, sustentando que os eleitores deveriam ter a oportunidade de escolher entre Paes e Douglas Ruas (PL). O movimento ganhou força nas redes sociais nesta segunda-feira, 26 de outubro, e ampliou a pressão política em torno de uma disputa que também está sendo discutida na Justiça.
Entre os nomes que aderiram à mobilização estão os vereadores Joyce Trindade, Salvino Oliveira e Flávio Valle, todos do PSD, além de Didi Vaz, secretário municipal de Conservação, e Edinho Menezes, da Coordenação Governamental da Prefeitura do Rio. O deputado federal eleito Marcio Ribeiro também defendeu a realização do segundo turno. Já Renan Ferreirinha, deputado federal eleito e ex-secretário municipal de Educação, convocou apoiadores a participarem da campanha digital. Um canal no WhatsApp, rebatizado de Exército do Dudu, ultrapassou 25 mil seguidores por volta das 13h, segundo informações divulgadas durante a mobilização. Eduardo Paes, por sua vez, não havia se manifestado diretamente sobre a iniciativa.
A controvérsia teve origem na apuração do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Inicialmente, a Justiça Eleitoral indicou que Eduardo Paes e Douglas Ruas disputariam o segundo turno. Posteriormente, a anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) alterou a base de cálculo da votação válida e levou à proclamação de Ruas como eleito em primeiro turno. O PSD contesta essa interpretação e recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar restabelecer a disputa. A discussão envolve os efeitos jurídicos da anulação dos votos e o critério utilizado para determinar se um candidato alcançou a maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno. O ministro Cristiano Zanin é o relator do caso, conforme informado na reportagem original.
A mobilização política ocorre em um momento de reorganização das forças partidárias após a eleição presidencial, mas a vitória de Lula não determina o desfecho da disputa estadual. Embora os aliados de Paes tentem ampliar a pressão pública, a realização de um segundo turno depende de uma decisão judicial fundamentada nas regras eleitorais e nos efeitos da anulação dos votos. Até que haja uma definição sobre o recurso, a controvérsia permanece aberta, com consequências importantes para o cenário político fluminense e para a disputa pela legitimidade do resultado que levou Douglas Ruas ao governo do Estado do Rio de Janeiro.
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