O registro de candidatura do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) passou a ser alvo de um pedido de rejeição apresentado pelo Ministério Público Eleitoral ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A manifestação envolve suspeitas relacionadas à atuação de organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro e levanta questionamentos sobre possíveis conexões entre grupos armados e a administração pública de Belford Roxo, na Baixada Fluminense (ASSISTA AO VÍDEO AQUI).
O documento, assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, sustenta que existem elementos que indicariam a aproximação de Canella com lideranças apontadas como milicianas durante sua passagem pela Prefeitura de Belford Roxo. Segundo o Ministério Público, pessoas investigadas por supostas ligações com milícias teriam ocupado cargos de primeiro escalão na administração municipal. O órgão também menciona possíveis entendimentos com integrantes do Comando Vermelho no contexto da operação Barricada Zero.
Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, mas renunciou ao cargo para disputar inicialmente uma vaga no Senado. Posteriormente, concorreu a deputado estadual e recebeu 197.178 votos, alcançando a segunda maior votação para o cargo no Rio de Janeiro. Em julho de 2026, ele foi preso em flagrante durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, após policiais federais encontrarem um fuzil em seu veículo. Na ocasião, o político afirmou que a arma não lhe pertencia.
Em 15 de outubro de 2026, Canella voltou a ser preso durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. As investigações apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes. De acordo com os investigadores, o parlamentar seria apontado como articulador de um grupo que supostamente utilizaria postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para movimentar recursos ilícitos. As acusações ainda dependem da apuração e da avaliação das autoridades competentes.
O Ministério Público Eleitoral argumenta que a ausência de condenação criminal pelos fatos investigados não impede, necessariamente, o reconhecimento de um eventual impedimento eleitoral. A defesa de Márcio Canella, por sua vez, afirma que o órgão não contestou o registro de candidatura quando teve oportunidade, em setembro, e sustenta que não houve mudança na situação jurídica capaz de justificar a medida. Os advogados declararam confiar na Justiça Eleitoral e esperam que o TSE defira a candidatura.
A decisão caberá ao Tribunal Superior Eleitoral, que deverá examinar os argumentos apresentados e os elementos disponíveis no processo antes de definir a situação do registro. O pedido do Ministério Público não representa uma decisão definitiva sobre a candidatura nem equivale a uma condenação criminal. O caso coloca em discussão os critérios jurídicos para avaliar possíveis impedimentos eleitorais diante de suspeitas de relações entre agentes políticos e organizações criminosas, preservando o direito de defesa e a necessidade de comprovação dos fatos.
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