É preciso ter uma dose colossal de desfaçatez para acreditar que a população do Rio de Janeiro sofre de amnésia crônica a cada biênio eleitoral. O prefeito Eduardo Paes, do PSD, achou viável montar um palanque de pureza fabricada ao tentar colar a imagem de Douglas Ruas, do PL, ao governador Cláudio Castro. A trama parecia perfeita dentro do conforto dos marqueteiros, até bater de frente com a realidade dos autos judiciais e desmoronar perante o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que mandou arrancar o material do ar por absoluta ausência de provas (ASSISTA AO VÍDEO AQUI).
A tentativa de empurrar o desgaste da gestão estadual exclusivamente para o colo do oponente ruiu no minuto seguinte, quando a memória digital fez o trabalho que o marketing tenta apagar. O mesmo Eduardo Paes que apontava o dedo acusador foi confrontado por uma enxurrada de registros públicos onde aparece em celebrações, gargalhadas e abraços ao lado do mesmíssimo Cláudio Castro. Simular repulsa em horário eleitoral depois de dividir palanques, alianças e eventos festivos ao longo de todo o mandato não é cálculo partidário legítimo, é hipocrisia descarada.
Essa postura aposta no esquecimento do cidadão comum, tratando o eleitor como massa de manobra incapaz de resgatar fatos recentes. Ao atacar a proximidade de Douglas Ruas com a cúpula do governo fluminense enquanto varre para debaixo do tapete a própria conveniência política mantida com o Palácio Guanabara, a campanha municipal não apenas subestimou a inteligência pública, como produziu um espetáculo grotesco de oportunismo. A condenação judicial foi a confirmação formal de uma farsa que o arquivo da internet já havia desmascarado sem nenhuma piedade.
O que sobra desse episódio é o retrato repugnante de figuras públicas que manipulam acusações para salvar projetos pessoais de poder, esquecendo que o próprio passado cobra a conta em alta definição. Quem passou anos festejando ao lado de aliados hoje inconvenientes não tem autoridade moral para cobrar pureza alheia nem para posar de paladino da retidão. A repreensão sofrida nas redes sociais e na Justiça Eleitoral expõe a decadência de quem governa fingindo virtude enquanto acumula contradições que nenhuma propaganda consegue apagar.
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