A votação de candidatos apoiados pela prefeita de São Francisco de Itabapoana é apresentada como demonstração de força, mas a trajetória política de Yara Cinthia, as rupturas com antigos aliados e a avaliação de seu governo também precisam entrar nessa conta.
Uma reportagem publicada em forma de “publi” apresenta a prefeita Yara Cinthia como uma das principais forças políticas de São Francisco de Itabapoana e aponta os cerca de 14 mil votos somados pelos candidatos apoiados por seu grupo nas eleições legislativas como demonstração de prestígio e credencial para disputar a reeleição em 2028.
Mas será que essa conta é tão simples assim?
Antes de transformar votos de diferentes candidatos em patrimônio político pessoal da prefeita, é preciso lembrar como Yara chegou ao poder. Sua eleição em 2024 teve participação decisiva da então prefeita Francimara Azevedo, sua madrinha política. Naquele momento, Yara ainda era pouco conhecida por boa parte do eleitorado e contou com a estrutura, a articulação e a força política do grupo que a levou à Prefeitura.
Depois da vitória, entretanto, veio o rompimento. Aquela que chegou ao poder pelas mãos de Francimara seguiu outro caminho e se aproximou de novas forças políticas, entre elas o deputado estadual Thiago Rangel, integrante de um grupo político ligado a Douglas Ruas e Rodrigo Bacellar.
A aproximação com antigos aliados também não parece ter sido definitiva. Após a prisão de Thiago Rangel, Yara voltou a movimentar suas peças no tabuleiro político e se reuniu com Eduardo Paes, derrotado na disputa pelo Governo do Estado. Para seus críticos, a sequência de mudanças de lado reforçou uma marca que passou a acompanhá-la nos bastidores: o apelido de “Yararaca”.
Agora, com a divulgação dos números eleitorais, a prefeita tenta apresentar o resultado como uma demonstração de liderança. Segundo o levantamento citado pelo Campos 24 Horas, os candidatos apoiados por Yara e integrantes de seu grupo somaram aproximadamente 14 mil votos no município.
Mas há uma pergunta que não pode ficar de fora: esses votos pertencem exclusivamente à prefeita? Ou também são resultado da história, da popularidade e das alianças individuais de cada candidato? Afinal, voto não é propriedade de liderança política.
Outro dado merece atenção: Francimara, antiga madrinha política e hoje adversária, obteve 5.800 votos na disputa para a Assembleia Legislativa. O resultado mostra que, apesar do rompimento e da perda de parte de seu antigo grupo, ela continua tendo presença eleitoral no município.
E existe uma questão ainda mais importante do que a disputa por números e alianças: a administração municipal.
A força demonstrada nas urnas por candidatos apoiados pela prefeita não significa, necessariamente, aprovação popular de seu governo. A gestão de Yara é alvo de críticas e, na avaliação de seus opositores, ainda está longe de apresentar resultados capazes de justificar uma comemoração antecipada por uma possível reeleição.
Faltam dois anos para a eleição municipal de 2028, mas Yara já aparece nas articulações como alguém interessada em permanecer no cargo. O problema é que eleição não se ganha apenas com alianças, fotografias, apoios de ocasião ou votos destinados a deputados. É preciso convencer a população de que a cidade está melhor.
No fim das contas, quem dará a resposta será o eleitor de São Francisco de Itabapoana. Os 14 mil votos podem representar força política, mas não são um cheque em branco para a prefeita.
Yara pode até se considerar fortalecida. Mas entre somar votos de aliados e conquistar a confiança da população existe uma distância considerável. E 2028 poderá mostrar se a liderança anunciada é realmente popular ou apenas resultado de uma engenharia política.
Notícias do site: Campos 360 News









