A fotografia chama atenção não apenas pela aparência de Rodrigo Bacellar, que surge aparentemente mais magro e com semblante abatido, mas principalmente pelo contraste com a posição que ele ocupava até pouco tempo atrás na política do Rio de Janeiro.
O homem que comandava a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), articulava alianças, tinha influência sobre decisões políticas e era considerado um dos personagens mais poderosos dos bastidores do Palácio Guanabara agora aparece vestindo o uniforme de uma unidade penitenciária federal.
A imagem foi divulgada em um relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e mostra Bacellar durante o período de encarceramento. Ele está custodiado na Penitenciária Federal de Brasília, para onde foi transferido por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), em julho deste ano.
MAS COMO O EX-PRESIDENTE DA ALERJ FOI PARAR ATRÁS DAS GRADES?
A história começou a ganhar repercussão nacional em 3 de dezembro de 2025, quando Bacellar foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne. Na época, ele ainda presidia a Alerj.
A investigação apurava um suposto vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, realizada pela Polícia Federal em setembro de 2025. A operação tinha como um dos alvos o então deputado estadual TH Joias, investigado por suspeitas de envolvimento com o Comando Vermelho.
Segundo a investigação, Bacellar teria recebido informações antecipadas sobre a operação e repassado os dados a TH Joias, que teria sido alertado sobre a ação policial. A suspeita é de que isso tenha permitido a retirada de equipamentos e documentos antes do cumprimento dos mandados.
A prisão provocou uma enorme repercussão política. Poucos dias depois, em 8 de dezembro, a própria Alerj decidiu revogar a prisão, em uma votação que terminou com 42 votos favoráveis à soltura e 21 contrários. Bacellar deixou a prisão, mas não recuperou a presidência da Casa e passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A liberdade, entretanto, durou pouco. Em 27 de março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou uma nova prisão preventiva. A decisão veio após a cassação do mandato de Bacellar pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além do avanço das acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República.
Em agosto, a Primeira Turma do STF recebeu por unanimidade a denúncia contra Bacellar, tornando-o réu por suspeita de obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada. A defesa nega as acusações e afirma confiar na absolvição.
A Operação Unha e Carne também ganhou proporções muito maiores. Ao longo de oito fases, as investigações avançaram sobre diferentes suspeitas envolvendo agentes públicos, contratos, lavagem de dinheiro e possíveis conexões com organizações criminosas.
Durante sua passagem pela presidência da Alerj, Rodrigo Bacellar era tratado como um dos grandes articuladores da política fluminense. Tinha acesso aos principais nomes do poder, participava de decisões estratégicas e exercia influência que ultrapassava os limites do Legislativo estadual.
Agora, longe dos gabinetes, das articulações políticas e dos corredores da Assembleia, sua imagem aparece em um cenário completamente diferente.
É um retrato impactante da queda de um personagem que parecia ocupar uma posição praticamente inabalável na política do Rio de Janeiro.
A Justiça ainda terá de decidir sobre as acusações, e Bacellar tem direito à ampla defesa. Mas a fotografia deixa evidente uma mudança impressionante no cenário de quem, até pouco tempo atrás, estava no centro do poder fluminense.
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