O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, estabeleceu o prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o relatório da Polícia Federal que indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A decisão foi tomada nesta quarta-feira (4). Além de analisar os indiciamentos, a Procuradoria deverá avaliar o pedido da Polícia Federal para ampliar as investigações por mais 60 dias. A corporação afirma que ainda existem diligências pendentes, incluindo perícias e análises financeiras necessárias para aprofundar a apuração.
Segundo o relatório policial, Daniel Vorcaro teria exercido participação direta nas operações envolvendo carteiras de crédito consideradas irregulares, negociadas entre o Banco Master e o BRB. Os investigadores estimam que as operações tenham movimentado aproximadamente R$ 17,5 bilhões, dos quais R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos cuja existência não teria sido devidamente comprovada.
A Polícia Federal aponta um prejuízo já identificado de aproximadamente R$ 2,7 bilhões ao banco de Brasília. Parte das perdas estaria relacionada a carteiras de crédito atribuídas à empresa Tirreno, apontada pelos investigadores como uma estrutura utilizada nas operações sob suspeita.
O relatório também inclui entre os indiciados o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, além de antigos executivos e outras pessoas apontadas como participantes das negociações. A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades no sistema financeiro.
A defesa de Vorcaro contesta as conclusões apresentadas pela Polícia Federal. Os advogados sustentam que as operações envolvendo as carteiras da Tirreno não foram concluídas da maneira descrita pelos investigadores e afirmam que os ativos foram substituídos por outros. A defesa também questiona a existência de comprovação pericial oficial dos prejuízos apontados.
Com a manifestação da PGR, o caso terá novos encaminhamentos. O Ministério Público poderá avaliar a apresentação de denúncia, solicitar diligências complementares ou adotar outra providência prevista em lei. O indiciamento, por si só, não representa condenação.
Enquanto isso, a investigação continua sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, e as autoridades ainda precisam concluir a análise dos documentos, movimentações financeiras e demais elementos reunidos no inquérito.
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