A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para 4 de outubro, a escolha dos candidatos exige atenção que vai além de discursos, slogans e exposição nas redes sociais. Em Brasília, no Distrito Federal, especialistas ouvidos para esta análise destacam que o eleitor precisa compreender as próprias prioridades, as atribuições de cada cargo e o funcionamento do sistema político antes de decidir seu voto. O objetivo é reduzir o risco de escolhas baseadas apenas em promessas genéricas ou na popularidade de uma candidatura.
Para o professor de Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, João Feres Júnior, o primeiro passo é identificar quais problemas o eleitor espera que o poder público priorize. A reflexão envolve interesses econômicos e sociais, além de diferentes visões de mundo. A socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília, acrescenta que conhecer as atribuições de cada cargo é essencial. Um deputado pode legislar, fiscalizar e participar da elaboração do orçamento, mas não executa diretamente obras públicas, responsabilidade ligada ao Poder Executivo.
A análise também precisa sair do campo das promessas e chegar aos fatos. Em Brasília, no Distrito Federal, o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará, Francisco Uribam Xavier de Holanda, chama atenção para a importância de verificar propostas, trajetória, financiamento e grupos que apoiam cada candidatura. Quando o candidato já ocupa cargo público, o histórico de votações e de atuação permite confrontar declarações atuais com comportamentos anteriores. Dados sobre arrecadação, despesas, doadores, bens e propostas de governo também podem ser consultados pelos eleitores.
Outro aspecto destacado pelos especialistas é o papel dos partidos. A cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, professora da Universidade Federal do Pará, afirma que a atuação de um parlamentar ocorre dentro de uma estrutura partidária, sujeita a programas, alianças e orientações de bancada. Por isso, conhecer apenas o discurso individual do candidato pode ser insuficiente. O histórico de votações da legenda, suas pautas, alianças e posições políticas ajudam a compreender o ambiente no qual o eleito deverá atuar.
Nas eleições para deputados, compreender o sistema proporcional também é fundamental. O cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chama atenção para o chamado efeito dos puxadores de voto. O fenômeno ganhou notoriedade em 2010, quando Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido como Tiririca, recebeu mais de 1,35 milhão de votos para deputado federal e contribuiu para a eleição de outros candidatos de sua legenda. Nesse sistema, os votos obtidos pelos candidatos de um partido ou federação entram no cálculo que determina a distribuição das cadeiras, respeitadas as regras eleitorais.
No dia da votação, o eleitor também precisa conhecer as regras. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro em todo o Brasil, com cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos, segundo os dados apresentados na matéria. É permitido levar uma anotação em papel com nomes e números das candidaturas, mas celulares, câmeras e outros equipamentos capazes de registrar o voto não podem ser utilizados na cabine. A manifestação individual e silenciosa é permitida, enquanto manifestações coletivas, abordagens e tentativas de influenciar outros eleitores são proibidas.
As 6 (seis) recomendações podem ser resumidas da seguinte forma:
1. Conheça suas prioridades. Identifique quais problemas públicos e interesses devem orientar sua análise.
2. Entenda cada cargo. Verifique o que presidente, governador, senador e deputados podem efetivamente fazer.
4. Analise o partido. Observe programa, votações, orientação de bancada e alianças políticas.
5. Entenda o voto proporcional. Nas eleições para deputados, os votos também participam da distribuição de cadeiras entre partidos e federações.
6. Prepare-se para votar. Leve sua anotação em papel, preserve o sigilo do voto e conheça as regras de comportamento na seção eleitoral.
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