O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, teria ameaçado revelar detalhes de relações mantidas com ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes da Procuradoria-Geral da República caso seu pai, Henrique Vorcaro, não consiga prisão domiciliar humanitária. Segundo informações atribuídas a pessoas próximas às investigações, Daniel estaria disposto a apresentar novos elementos durante depoimento previsto para 30 de setembro. Henrique também deverá ser ouvido pela Polícia Federal na mesma data, em investigação sobre a chamada “A Turma”, grupo que teria atuado para proteger o empresário e intimidar desafetos.
A movimentação ocorre em meio ao agravamento da crise envolvendo o Banco Master e integrantes do STF. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli já aparecem em relatos sobre contatos com Vorcaro, enquanto referências a parentes de Nunes Marques, Gilmar Mendes e Luiz Fux também passaram a integrar o contexto das apurações. Outro episódio envolve André Mendonça, que se encontrou com Vorcaro em Brasília antes de uma decisão relacionada a negócios de concessionárias funerárias em São Paulo. Flávio Dino defendeu o aprofundamento das investigações sobre esse episódio, sem que isso, por si só, demonstre qualquer irregularidade na decisão de Mendonça.
O caso ganhou dimensão institucional depois que elementos extraídos do celular de Daniel Vorcaro deram origem a uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes. Entre os materiais analisados pela Polícia Federal estão mensagens atribuídas a uma interlocução com o ministro e referências a um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. Moraes contesta a interpretação do material e nega ter mantido as conversas apontadas. Paralelamente, André Mendonça levantou questionamentos sobre a atuação de Moraes, enquanto Moraes questionou a condução do caso por Mendonça. Edson Fachin suspendeu o andamento das discussões, e um pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a análise conjunta das questões.
A expectativa agora se concentra no depoimento de Daniel Vorcaro e na eventual apresentação dos documentos que, segundo relatos atribuídos a pessoas próximas da investigação, incluiriam fotografias, recibos de pagamentos e mensagens. Até o momento, porém, a existência desses materiais não equivale à comprovação de corrupção, tráfico de influência ou venda de decisões judiciais. A crise envolvendo o Banco Master permanece em investigação, e a confirmação das alegações dependerá da análise formal das provas, de sua autenticidade e da relação concreta entre os contatos de Vorcaro e eventuais decisões de autoridades em Brasília e em São Paulo.
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