A preocupação dos brasileiros com a corrupção cresceu seis pontos percentuais e chegou a 20%, segundo a mais recente pesquisa Quaest. O avanço coloca o tema na segunda posição entre os principais problemas apontados pelo eleitorado, atrás apenas da violência, que permaneceu em 31%. A economia aparece logo depois, com 19%. O levantamento foi realizado entre 3 e 6 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
O movimento ocorre em meio ao agravamento da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Entre os episódios que ganharam repercussão estão mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas quais ele teria buscado orientações do ministro Alexandre de Moraes antes de ser preso. O fim do sigilo das mensagens, autorizado pelo ministro André Mendonça, ampliou a tensão dentro da Corte e antecedeu o pedido de Moraes para deixar a relatoria do caso.
Os dados mostram que o avanço da preocupação com corrupção não ficou restrito a um único campo político. Entre os bolsonaristas, o índice passou de 18% para 28%, enquanto entre eleitores de direita não bolsonarista subiu de 21% para 28%. Na esquerda não lulista, avançou de 8% para 14%, e entre os lulistas passou de 5% para 12%. Entre os independentes, a alta foi de 16% para 20%. O resultado indica que o tema ganhou espaço em diferentes segmentos do eleitorado.
A divisão regional também chama atenção. No Sul, a preocupação com corrupção saltou de 16% para 28%. No Nordeste, passou de 7% para 17%. No Sudeste, avançou de 17% para 21%, enquanto no agrupamento formado por Centro-Oeste e Norte foi de 15% para 17%. As diferenças precisam ser observadas com cautela devido às margens de erro específicas dos recortes regionais, mas o crescimento nacional aponta para uma mudança relevante na percepção dos eleitores.
O resultado ganha dimensão ainda maior diante do cenário eleitoral de 2026, no qual Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparecem empatados em 41% em uma simulação de segundo turno. O crescimento da corrupção como preocupação nacional não permite afirmar, por si só, que o eleitorado esteja responsabilizando Lula, o STF ou qualquer outro grupo político. Mas o dado revela que confiança, integridade institucional e combate à corrupção podem ocupar espaço crescente na disputa presidencial. Se o patamar de 20% se mantiver nas próximas pesquisas, o tema poderá deixar de ser apenas uma reação ao noticiário recente e se transformar em uma das questões centrais da eleição.
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